Posts TaggedLunna Guedes

Lunna Guedes

A procura de casa…

Casa velha no penhasco dourado, banhado por um resto de sol a lamber a encosta dos olhos cansados dos dias, saudosos da vida, há tempos distantes, há muito ausente…
O mar paralisado, parece assistir ao que resta do silêncio do seu fracasso mais íntimo. Fica o suspiro inquieto na garganta, fica o aperto no peito e a lágrima presa do lado de dentro!

Casa velha no penhasco envelhecido, banhado por um rastro pequeno de lua branca a beijar a encosta dos olhos cansados dos dias e da consciência de rasgar os dias com as mãos e ficar a esperar pelo fim que se desenha no horizonte. Uma hora tudo se acaba, mas por enquanto apenas continua… Como os movimentos do mar…

Casa velha no penhasco que não desperta… Não vê o sol florescer… O mar ainda cansado do que ontem foi noite, fica em silêncio como quem reza uma prece e se despede num aceno lento do que ontem foi movimento e agora é apenas um barco a deriva que finalmente encontrou sua casa…

12 comments Maio 30, 2009

Lunna Guedes

Era uma vez um outono…

De olhares tristonhos
De pensamentos vazios
E vento frio a percorrer as ruas…

Era uma vez um outono…
Repleto de folhas antigas
…a abraçar um único destino possível!

Um outono feito de lábios
qe nunca se encontrarão
E ainda assim…
Guardam estranhas formas de saudades
um do outro…

Um outono feito de mãos que se conheceram
sem nunca se tocarem, nem mesmo por um só instante

Um outono feito da lembrança
de um abraço apertado
Qe ficou na paisagem,
ao lado…

Um outono feito de olhares silenciosos
que ensaiavam palavras – nunca ditas!

Era uma vez um Outono
…feito de almas que nunca souberam uma da outra!

7 comments Abril 30, 2009

Lunna Guedes

…Vestígios

(…)de repente o espelho mostrava aquela estranha figura humana, com traços desconhecidos. Uma investigação atenta teve inicio naquele momento. Uma busca por si mesma e os anos estavam todos ali, como se o reflexo no espelho fosse uma tela mágica a exibir o que se foi…

Tímido retrato improvisado que dispensa máscaras!

A lembrança a levava de encontro a enganos tantos. As ilusões dos tempos idos, perdidos em rugas, plásticas…

Reformas na pele e na alma!

Por um instante a navalha quis ferir a derme e por fim a tudo. Sem choro, sem dores, sem desesperos. Estava ali, a um simples toque, lento, com o sangue quente escorrendo na pele sombria. Ela engoliu seco. Fechou os olhos, sentiu o fino e frio corte da navalha. Respirou fundo, mas faltou-lhe coragem…

Estranha forma de coragem a criar espaços nos cantos!

A lágrima fria correu-lhe a pele e um sorriso repentino floresceu… Um rápido reencontro ocorreu. Um reconhecimento inédito. Era como se fosse a primeira vez ali, diante de si mesma… Ela colheu os silios, arrumou os cabelos. Retocou o batom, a sombra nos olhos. Incentivou-se na medida certa. A respiração voltou ao normal. A estranha face tinha desaparecido. Ela já se reconhecia ali naquele espelho feito em pedaços minutos antes…

O rosto nu, maduro, sensível era dela, mulher de quarentas vidas, destinos, ousadias, romances, ilusões, conquistas, sonhos… Não era mais daquela menina de vinte decepções, desilusões, distrações e fracassos…

Estava pronta para ser mais simples de agora em diante…

14 comments Março 30, 2009

Lunna Guedes

Pano de fundo…

Despe-me dessa figura humana
Sem avesso…
Sem verso!
Apenas enganos…

Despe-me desses desaforos todos
…acumulados na pele
E na lágrima que macula a pele!

Despe-me do desespero
…de ser ilusão todos os dias
Ser desejo que não se satisfaz
Ser vontade calada no soluço incompreendido
Ser prisioneira de um mundo sem portas e janelas!

Despe-me
Retira as vestes mal cerzidas
Retira o reflexo que abala as matizes
Retira de mim essa dor que me mantêm refém!

Despe-me da pele
…feito cobra
Me dê algo de novo
Ou mata-me aos poucos
Para fazer cessar a dor!

18 comments Fevereiro 28, 2009

Lunna Guedes

Outros Tempos

1.

Poderias tu
Entender esse avesso meu
…que tenho e não nego?

Entender que a noite
…é instinto e arte
E eu preciso muito mais de mim
Que de você?

Entender que a noite trás o silencio
…o verso que o dia não entende!
E a tranqüilidade que o dia não tem?

Poderias tu
Entender esse avesso meu
…que tenho e não nego?

*****

2.

O silencio que verte a noite
Cospe alento em minhas mãos!

Nada sei eu de ti
…e nessa hora nem desejo saber
Quero apenas o silêncio na pele
O verso nas veias
E a poesia na alma…

Quero a noite que cai
Lentamente lá fora
Enquanto eu aqui dentro
Vislumbro a folha perdendo seu branco
…bem diante dos olhos meus!

*****

3.

Há no silêncio dessa janela
…estrelas, luas e metáforas inquietas
Há a meditação insensata
Uma palavra que pulsa:
sensações que se acumulam no teclado
Na tela, outrora em branco
Versos dançam na frente dos olhos

A vela ilumina a mesa
…a xícara guarda o último gole
E sobre a mesa – sombras oscilam
A palavra. Minúscula.
Ignora o que não é noite!
E ali – nos braços da madrugada
O que há de poesia…
Por mim -  chama!

2 comments Janeiro 30, 2009


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Um sopro de inspiração que chega nas mais diversas horas - um olhar mais atento que capta e entende...

Uma paisagem do qual você passa a fazer parte e para se surpreender basta virar a página.

Edição.
Lunna Guedes
Suzana Martins

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