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Lua Durand
Bastardo. (do mundo)
Não, não sou assim.
Sou de antes, de antes do mundo, de antes de tudo, de antes de mim. Nasci no tempo errado, no tempo de homens errados. Nasci sem nome, sem referências, sem endereço.
Nasci sem pai, nem mãe.
A primeira lembrança que tenho de antes (de mim), é a lembrança do mar. Quem sabe sou filho das espumas das ondas que quebram na areia da praia. Ou talvez eu seja algum pedaço de nuvem densa que resolveu cair como chuva em um dia qualquer.
O certo é que me sinto estranho, apático, a parte. Me sinto fora de tudo, do mundo, fora de mim.
Enquanto todos calam eu grito, não me contenho. Uma vez, quando explosivo, cheguei até a cegar.
Enquanto todos falam, eu calo, me faço mudo, invisível, me escondo e me perco entre lágrimas amargas de dor e solidão.
Tudo o que havia dentro de mim foi embora, sou oco, vazio, transparente. Não sou nada, nem nunca fui, talvez um dia quem sabe eu seja, seja algo para alguém, pois não sou todos, sou um, único, e costumo em quartas-feiras que chovem sair à rua sorrindo.
Não sei como ou porque, desde de antes (de mim) carrego em meu peito todos os sonhos do mundo e um pouco, de alguém que nunca existiu.
Blog. Café na Porta
3 comments Fevereiro 28, 2009