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Adriana Costa
Os sete pecados capitais do amor
Camille Claudel, O Abandono
Gula
O meu olhar
te engole e te bebe
desde tua sombra
até o que respiras
Inveja
Invejam os astros dia a dia
o brilho estelar dos teus olhos
e o sorriso nacarado
que observo sem piscar
provocas os deuses
com o tecido nobre de tua pele morena
Avareza
Não te empresto a um olhar sequer
Estou te acumulando
em memórias
só para mim
Luxúria
tens-me
lasciva e devassa
líquida
a escorrer pelo teu corpo
em forma de língua
Soberba
Têm brilho argênteo
nossas umidades
e os pêlos
luzem mais
que mil sóis
Preguiça
Arrasta-me
para fora da cama
se não me quiseres
Leva-me embora
Mas leva-me nos braços
Ira
Odeio este amor
que me extravasa
rasgando-me a pele
como a um papel.
6 comments Fevereiro 28, 2009
Adriana Costa
Sempre Noite
Não estou trancada dentro de mim, amor
A porta está aberta
Posso sair
O coração na mão desprotegido
Algo inseguro
É noite, é sempre noite
Por demais escura
Piso o frio das calçadas
com pés descalços
Só, mas inteira
A mudança de cores
Anuncia o dia
Viro sombra
Deixo-me invadir, pisarAbro as mãos, voam pássaros.
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Noite Urbana
É noite e a cidade está cansada
De homens e mulheres cansados
A urbe impede-os de ver as estrelas
Enquanto o universo é vasto.
Durante a noite, a noite não dorme
E é possível ouvir os gemidos
Os sentimentos mudos
A despeito do alarido.
Na escuridão não se vê a fome
E a fome não deixa dormir
O olhar é um brilho úmido
Na escuridão. Imagem
Tão familiar, de desconhecidos
Como córrego de águas escuras
Acostumados a entorpecer
Sobre a calçada pútrida.
Os pulmões negros
A aspirar a brisa
Carregada de fumaça
quente; a brisa fria.
Fecham-se os olhos tristes
dos velhos apartamentos
A porta-língua não diz
adeus aos companheiros.
Add comment Janeiro 30, 2009
