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Edição. Lunna Guedes
www.meninanosotao.wordpress.com

Produção. Estação Zero
www.francysoliva.blogspot.com.com

 

capa perspectiva

Editorial.

No horizonte as palavras se unem formando idéias: céu e mar parecem ser o mesmo que papel e caneta. Comparações distintas, adversas, talvez impróprias, mas que fazem sentido ou pensam fazer.

A cada olhar, as páginas inventam formas diferentes. Dentro de cada letra um desenho, desenho esse que o próprio papel faz questão de pintar.  Tudo isso segue além do horizonte ou de qualquer cidade inventada. Não que seja impróprio inventar cidades. Nós nos inventamos diariamente, a cada amanhecer ou entardecer, então por que não inventar ou imaginar cidades e seus mistérios?

Entre páginas lidas, escritas ou entre as cidades inventadas e construídas encontramos a pressa cotidiana que às vezes é interpretada por palavras, desenhos, borrões de tintas, arames retorcidos, acordes… Pequenas descobertas individuais que pintam novos horizontes que são mistérios a serem desvendados num mundo onde todos nós vivemos e nem sempre parecemos disso saber. Somos distraídos por natureza, isso é um fato. Você por exemplo: já prestou atenção nas imagens que a janela do ônibus ou do carro que te leva para os lugares onde precisa ir, te mostra?

As perspectivas e sua arte de representar versos decassílabos e poemas alexandrinos migram entre meus mares e oceanos sempre à vista. Eles são sempre uma promessa: minha e sua que amanhã será diferente. Mas quanto é que chega esse amanhã? Quando é que eu me movo em direções diferentes? Sempre amanhã… Esse amanhã que nunca chega… É um ciclo que nunca se fecha.

Então hoje, eu convido vocês a virarem a página, a fixar o olhar, a desvendar mistérios, a inventar sensações, a visitar ilusões… A ver o que há para se ver através de cada horizonte desenhado pelos convidados dessa revista que te propõe exatamente isso: atenção porque cada palavra escrita nessas páginas traz um olhar, um entusiasmo, um sentir, um compreender, um passo, um viver…

E eu deixo a pergunta: será que o seu olhar se difere dos outros, ou são iguais? Qual é o seu olhar? Qual é a perspectiva?

Espero que ao chegar a última página você me tenha todas as respostas…

Um abraço!
Suzana Martins

C.o.n.t.o.s

clip_image002[16]A casa da meia distância
Por Lunna Guedes

Ela sentou-se junto à janela que naquela hora da manhã exibia suas primeiras paisagens em meio a um floco de nuvens e meia dúzia de raios de sol… Queixo apoiado sob as mãos e o olhar apoiado naquela colina que passava por sobre telhados, árvores, ruas, a cidade inteira e chegava até ela… A frondosa árvore exibia seus galhos repletos de folhas verdes e seus pequenos pontos amarelos que a distância não se assemelhava a realidade de seus contornos. Eram flores, mas poderiam ser qualquer coisa…

A menina em sua janela imaginava o perfume que voava pelo ar feito pássaro de asas abertas a plainar junto ao vento e vinham de encontro a ela, abraçando seu olfato sempre agudo… Sua imaginação também era como um pássaro e depois de tanto tempo observando aquela mesma paisagem, seus passos resolveram percorrer aquela distância, mas os ensaios sempre ficavam pelo caminho, entre a Rua Maurício Prado e a Nunes Teixeira… Sempre deixava seu suspiro naquela cruzamento, onde as placas eram mapas a desorientá-la…

A menina foi somando anos a sua pele e desacertos vários. Sempre amanhecia com os olhos presos aquela ilusão e adormecia com a frustração do meio do caminho. Mas depois de algum tempo, passou a se interessar apenas pelos caminhos da sua imaginação que não tinham placa, nem frustração… E lá, sentada junto a sua janela com um caderno em mãos ele rascunhava meia dúzia de palavras e traçava a história daquela paisagem…

Contava ela aos seus netos que lá em cima, junto aquela frondosa árvores havia um banquinho de madeira com uma perna mais curta que as demais, onde um senhor se sentava todas as manhãs para fumar seu cigarro de palha. Homem antigo, solitário, pele bronzeada, cheia de rugas, sandália de dedo nos pés, calça curta cor de terra, rasgada, barra gasta, camisa de algodão azul claro com alguns botões abertos, alguns faltando e uma saudade nas veias, dessas que a gente não sabe bem de que.

Ele era um caboclo recordando o lugar que ele tão bem conhecia e que anos antes tinha mais verde, menos casas, menos pessoas, menos carros, menos movimentos, muito mais pássaros… As vezes ele carpi os centímetros de terra que diz pertencer a deus, a quem ele agradece tirando o chapéu da cabeça e fazendo sua prece as seis da manhã. Nada ali era de fato seu… Ele tirava as ervas daninhas, plantava as sementes da próxima estação. Enxugava o suor da testa e olhava para o céu para saber se a chuva estava perto ou se aquele sol iria continuar por ali a varrer a paisagem com seu furor.

Quando dava meio dia, sol a pico, ele juntava a lenha e cozinhava o feijão. O cheiro alcançava a cidade inteira e a fome gritava no corpo dos homens aqui em baixo… Depois do almoço, ele fazia o café e de novo, aquele cheiro gostoso se espalhava pela cidade feito nevoeiro que chega não se sabe de onde e quando a gente se dá conta já nos engoliu por inteiro…

No velho casebre dele, a janela de madeira era aberta antes das seis e o sol sempre chegava por lá bem antes que em qualquer outro lugar da cidade.  Ele se espreguiçava, estralando todos os ossos do corpo e cá em baixo a gente pensava que era o estouro das pedreiras, mas era ele, o senhor sem nome que vez ou outra descia de seu mundo com sua magrela de antigamente, percorrendo as ruas. Passava na venda pra comprar meio quilo de qualquer coisa e voltava mascando palha.

Quem o via passando pelas ruas, dizia que ele estava cantando um canção “eu não troco meu ranchinho marradinho de cipó pruma casa na cidade nem que seja bangalô. Eu vivo lá no deserto, sem vizinho vivo só, só me alegra quando pia lá praqueles cafundó, é o inhambu-xitã e o xororó”.

Aqui na cidade nada se sabe de fato sobre ele, mas o seu Maneco da venda diz que o nome dele é Horácio e cada um conta de um jeito a história dele, tem gente até que diz que ele não existe e que é tudo invenção de uma menina que cresceu por essas ruas, foi embora viver na cidade grande de depois voltou pra cá, só pra inventar história e virar contadora de causos.

Dizem que no dia em que ela foi embora, enquanto o ônibus seguia seu norte, ela olhou lá para o alto da colina e acenou pra ele. É claro que a distância era muito grande e de certo o velho caboclo não soube daquele aceno, mas dizem também que o céu perdeu seu azul rapidamente, e nuvens negras surgiram bem em cima da montanha. Um estrondo bem forte pode ser ouvido: era um trovão desses que faz criança correr pra debaixo da coberta e dizem pela cidade que choveu durante dias.

Não por acaso, na manhã seguinte, a janela da casa daquela velha senhora era ocupada por quatro crianças curiosas, com os sentidos atentos aos cheiros e paisagem. Um deles jurava ter sentido o cheiro de café, o outro dizia que tinha visto a fumaça do cigarro do venho homem, enquanto o outro já imaginava os caminhos de seus mapas e certamente descobriria o meio do caminho entre as ruas Maurício Prado e a Nunes Teixeira…

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Devaneios a beira do cais
Por Suzana Martins

A paisagem do final do inverno caía por sobre o cais. No pôr-do-sol, Victória vivia uma rotina de verso e prosa onde encontravam no infinito as suas melhores composições.  As nuvens acinzentadas mesclavam-se com o azul do céu, o alaranjado do sol e o branco das outras nuvens pareciam terem sido bordadas por mãos de rendeiras.

Era inverno no litoral. Dias de ventos e chuvas fortes. Tardes de belos pores-do-sol. E ela ficava a beira do cais à espera de algo novo; carregava nos olhos a alegria dos seus momentos vividos e também os dias que se havia se esquecido de viver. Esperava ouvir o que ainda não tinha ouvido, ansiava em saber que podia sentir o que há muito ainda era uma espera, por vezes, enigmática…

Em alguns momentos assumia as cores do arco-íris, mas logo o céu tornava-se cerrado e tudo voltava a cobrir-se em preto e branco. Tudo parecia inconstante, talvez mera culpa da estação incerta do litoral, que nos dias de inverno também fazia calor.

Victória não entendia essas incertezas da natureza, que ao mesmo tempo eram suas dúvidas envoltas em seus momentos. Dias intimistas… Não se sabe até quando ela conseguirá viver nessa ambivalência.  Nem em que tempo poderá conseguir traduzir em palavras o que há muito o seu olhar já diz…

Um dia quem sabe, os seus medos ocultos deixarão de assumir o espaço da sua espera e Victória começará a conhecer o seu mundo… A entrada para ela há muito tempo que está sempre à vista…

Encontro anual das protagonistas de contos de fadas


Por Patricia Daltro –
www.avidasemmanual.blogspot.com

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A primeira a chegar, como sempre foi Cinderela, hábitos antigos a faziam sempre ser pontual. A segunda, Branca de Neve, agora loura. As duas trocaram beijinhos e sentaram na mesa reservada. Era o Encontro Anual das Protagonistas das Estórias de Fadas. No salão, já estavam a Fada Madrinha e Chapeuzinho Vermelho.
- Quem mais está na nossa mesa? – quis saber Branca, pegando um martini com o garçom.
- Acho que a Bela.
- a Adormecida?
- Essa mesmo. A Bela da Fera está junto com a Maria e o João do pé de feijão.
- Eles se casaram, não foi?
- Quem? a Maria e o João?
- Não, o João e a Chapeuzinho…
- Nossa isso é notícia velha, eles até já se separaram…
- Sério? Mas, por quê?
- Menina, foi um babado fortíssimo, como você não soube? O João pegou a Chapeuzinho na cama com o Lobo Mau, que convenhamos, de mau, aquele lobo não tem nada.
As duas riram e pediram mais um Martini. Aos poucos o salão se enchia. No momento, os três porquinhos haviam acabado de chegar, acompanhados da formiga, que diziam as más línguas, tinha perdido tudo no pôquer para a Cigarra e agora, vivia de porta em porta, pedindo favores.
- Mas, me conta, Cinderela, você se separou do Príncipe mesmo?
- Nem me fale, Branca, foi horrível.
- Sério? Eu achava vocês um casal tão feliz. No último encontro, vocês ainda estavam juntos, não foi?
- Fachada, minha querida, fachada! A Fada Madrinha fez a gente assinar um contrato que tínhamos que ficar
juntos durante dez anos! Você não sabe o que passei…
- Foi tão ruim assim?
- Meu bem! Ele vivia desfilando com o meu sapato de cristal e lingerie pela casa! O que você acha?
- Jura, amiga?! Eu não sabia que ele tinha essas tendências…
- Nem eu, nê? Senão não teria casado com ele… O pior eram as festas que ele dava, aquele Gato de Botas! Como eu odeio aquele cretino!
- Ele também?! Não?!!!! Alias, fala baixo que ele acabou de chegar…
- Você também separou do Príncipe não foi?
- Ah, o meu já é notícia velha, no último encontro já estávamos separados…
- Acho que ficamos em mesas separadas, não me lembro do motivo…
- Você acredita que aquele safado tinha um caso com a Madrasta?
- Tá de sacanagem?!
- Quem dera… Na verdade, a coisa foi complicadíssima, você sabe, nê? A Madrasta tentou me matar várias vezes por causa da herança de papai, só com o que ela não contava, era que tivesse uma cláusula no testamento que falava que se alguma coisa acontecesse comigo, ela não herdaria nada! Quando ela soube disso, armou com o amante, o tal safado com o qual casei, e ele foi me procurar lá no bosque. Os anõezinhos não queriam que eu fosse, mas, cá entre nós, eu tava de saco cheio de ficar servindo de ama-seca de marmanjo. Sem contar, que tinha uns ali, bem tarados!
Mas, então, casei com o cara e três dias depois, ainda em lua de mel, peguei os dois no maior amasso!
- E o que você fez?
- Expulsei os dois FDP do reino, ora!
- Mas, você não tem medo de que eles tentem algo contra você?
- Bem, contratei um segurança. Olha ele ali.
- Menina, que segurança é esse? Que homem!
- Pois é… pois é…
As duas riem e bebem mais um Martini.
- Olha ali, não é a Bela?
- Acho que sim, mas quem é aquele com ela? Não é o Príncipe…
- Acho que é o Peter pan…
- Será?!
- Nãaao, o Príncipe adora a Bela.
- É, mas por ela eu já não coloco a mão no fogo…
- É verdade. Acho que foi no último encontro que rolou aquele barraco, não foi?
- Ih, é, pegaram a Bela com o Caçador no quarto da Fada Madrinha…
- É, ela veio tentando explicar que estava aprendendo a atirar.
- Mas, não era bem espingarda dele que estava na mão dela não. hahahaha
- hahahaha
- Não estou vendo o Fera por ai… Ele e a outra Bela se separaram?
- Não, esses estão juntos…
- Casal feliz?
- Beeem, se ela é feliz eu não sei, mas eu fiquei bem feliz na última vez que os visitei.
- Nãaaao? Você e ele?! Jura?! Conta, conta, como é que foi.
- Ihuuu Bela! Tudo bem? – Branca de Neve acena para a outra Bela que vira a cara.
- Nossa, então ela soube?
- Se ela soube eu não sei, mas deve ter desconfiado…
- Mas, como é que foi que aconteceu?
- Ah, Cindi… Foi logo assim que separei, estava tão triste e confusa, a Bela me ofereceu a casa para botar a cabeça no lugar. Eu fui, e deixo bem claro, que foi na melhor das intenções. Então uma noite nós três bebemos bastante, alias, como a Bela bebe. Sinceramente, acho que ela deveria dar uma passada no AA.
- Deixa de enrolar e chega logo no ponto!
- Você é muito estressada! Credo! Então, bebida para lá, bebida para cá e a Bela apagou. E o Fera todo ali, solidário com a minha dor…
- Ah, mas vocês estavam bêbados!
- Mas, no dia seguinte não! hahaha
- Quer dizer que…?
- Foi um verão inesquecível, minha cara!
- Hahahahaha
- Nossa já é meia-noite!
- Ah, meu Deus, preciso ir embora!
- Deixa disso Cinderela, você não precisa mais sair correndo ao bater das doze badaladas!
- Velhos hábitos, querida, velhos hábitos.

Poesia…

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Entrevista.

clip_image002[26]Aquilo que você escreve e compartilha

Difícil escrever sobre quem a gente definitivamente não conhece. Sou apenas uma dos muitos leitores que o blog Luz de Luma tem, mas isso não me permite descrever a figura humana que cria frases e vincula posts sobre os mais diferentes temas em sua página pessoal, estabelecido em www.luzdeluma.blogspot.com há anos.

Não se trata de alguém com quem eu converso constantemente e sua idéias em si não me dão uma impressão acerca de sua pessoa. O humano que existe por trás das palavras me faz lembrar aqueles poetas antigos que eu leio constantemente. Suas palavras me causam um sentir, uma viagem intima a partir de mim mesma, mas não me levam até o autor e o sentir que o levou a transcrever sua dor em versos.

E confesso: nunca tive curiosidade bastante para saber quem é a pessoa por trás do blog. Da mesma forma que biografias não causam devaneios. Não as leio, pois não me interessam. Seria o objeto por trás da forma? Talvez…

Mas e idéia por trás do que leio se define assim: advogada, mulher, mãe, filha, ser pensante e escritora. Brasileira, uma mineira de Pouso Alegre que vive no Rio de Janeiro e deseja a paulicéia num momento diferente do que vive hoje.

Criadora do blog Luz de Luma que é sem dúvida alguma, um dos blogs mais lidos da blogosfera, esse universo em constante expansão e que mesmo com tempo de vida tão curto já teve sua extinção declarada por muitos. Afinal a pressa estabelecida no cotidiano da maioria das pessoas, fez delas, consumidoras de notícias curtas, informações breves. Seria uma possível vitória dos 140 caracteres? O blog Luz de Luma não parece preocupado com essa maré que pode ou não ser momentânea. Os posts escritos por Luma exibem um pensamento, um sentir e às vezes um lamento que nos faz perceber uma deliciosa janela aberta cheia de perspectivas.

“O blogueiro escritor não pensa “eu vou escrever todas as manhãs” ou então “vou escrever quando todos estiverem dormindo”; a prática da escrita é algo que fazemos o tempo todo, seja caminhando, olhando o movimento das pessoas… mas principalmente ao conversarmos com os nossos personagens, interiores ou não, com a faísca de nossas inspirações e com os leitores”. Luma Rosa em Luz de Luma.

clip_image002[28]Identidade. (nome)
Luma Rosa

Avesso. (quem é Luma?)
do grego, música; do Basco, de uma natureza agradável e amigável

Manifesto. (profissão)
Sou advogada de formação e trabalho na área de Engenharia

Intuição. (como vê as coisas reais)
Com pressa, muita pressa! (rs*)

Como nasceu Luma Rosa?
Numa madrugada com bastante calma.

Poeta/Escritor já nasce pronto?
Lógico que não!

Descobrindo seus pares? (o que te inspira)
Tudo que atiça meu sexto sentido.

Quem mais te dinamitou?
Muito difícil me tirar do sério

Onde busca seus temas?
Em geral, eles chegam naturalmente no decorrer do dia, através do que vejo, leio, converso…

Quantas personagens habitam em você?
Ainda não parei para contar. Possuímos vários, não? Recentemente deixei de ser filha para fazer o papel de órfã e ganhei um personagem triste.

Qual delas já te levou a loucura?
Ser mãe é algo extremo que vai da loucura a doçura.

Qual delas já se retirou para um canto escuro e chorou?
Acabei de contar acima. Perder a mãe, perder o nosso centro, a referência; é o pior que pode acontece a qualquer pessoa. Além da referência, o pior que pode acontecer a alguém é perder um filho.

Qual e a participação do Blog “Luz de Luma” na sua vida pessoal?
Dependendo do dia, de 5 a 10% mas bem que gostaria que fosse pelo menos 50% porque eu gosto do Luz de Luma.

E contato com os seus leitores?
Não consigo manter contato com a maioria por não dispor de tempo, mas creio que eventualmente mantenho 70% de contato com os que participam, levando em conta os que não comentam diretamente no “Luz”.

Por onde anda Luma?
Ultimamente anda com o olhar mais distante.

Uma palavra de ordem.
Paciência

Em seu blog há espaço para todos os temas, mas você já se recusou a falar de algum assunto?
Recebo muitas sugestões de postagens e acato conforme vejo necessidade. Não me lembro de ter recusado algum tema. Estou pronta para desafios (rs*)
Algumas pessoas hoje em dia acreditam que o blogueiro tem que se expor de corpo e alma para haver clareza quanto ao que ele escreve. Mas ainda há muitos personagens na blogosfera. Como você enxerga essa falta de confiança de algumas pessoas nesse universo que ainda é considerado novo?
Eu sou uma destas pessoas que desconfiam, até pela minha natureza. O blogueiro de cara não ganha a confiança do outro; a credibilidade se forma com o tempo. Nada é muito diferente da vida real. A desconfiança é natural, até por isso, não vejo necessidade de “exposição” – a discrição é a tônica para não perder o foco.

Ou um ou outro. Café ou chá, tanto faz!
Poesia favorita: Contemporânea, de Nuno Júdice.
Palavra indigesta: Corrupção
Sentido figurado: pode ser uma figura de harmonia? “O silêncio fresco despenca das árvores/Veio de longe,das planícies altas/Dos cerrados onde o guaxe passe rápido…/Vvvvvvv… passou.”(Mário de Andrade)
Moda: É um código inventado para distrair quem observa e quem é observado.
Estilo: meio de passar para o mundo e para nós mesmos o que somos. Poucos são os que conseguem criar um estilo, sem saber quem são ou aquilo que não são, aquilo que sonham para si e não para satisfazer sonhos dos outros; fazendo crer que “existem” até parecer que “são” realmente.
Patifaria: Patifaria é tendência do ser humano. Por exemplo, as leis que regem qualquer sociedade, acabam por punir inocentes, porque o assassino sempre tem um álibi. Se lhe perguntam o que ele estava fazendo no dia 15 de Janeiro de “carolinas” às 14hs06min32seg, ele sabe! O criminoso é organizado e é aquele que mais entende de leis; se uma lei é criada hoje, amanhã ele encontra pelo menos 3 maneiras de burlar essa lei. Se emendamos a lei para protege-las de criminosos está armada uma patifaria!!
Agarro: Essa me sopraram no ouvido e não conto!!
Largo: falando sozinha quem tem voz estridente. Tenho bloqueios! A voz me atrai ou me causa repulsa, ela pode nos acalmar e encantar, mas também pode irritar e repelir.
Quebro: quebrava… muita grafife HB. Não quebro mais, agora eu uso grafite 2B #ficaadica J
Paradoxo: “O mito é o nada que é tudo.” (Fernando Pessoa)
Poeta: Vladímir Maiakovski que já valeu postezito!
Livro: Já que falamos de poesia – “Poemas de Jacques Prévert”
Na cabeceira: On The Road – Pé na Estrada, Jack Kerouac
Não leio nem amarrada: Piadas. Um porre!
Amassos: Amacia o coração, né?
Arquivo Vertical: Na ordem de prioridades!
Cospe. Lógico, ainda não desenvolvemos filtros de seleção para engolir o que lhe fazem mal.
Sentimento. Amizade
Cão ou Gato. Cão
Céu ou chão. Chão
Amargo. Só chocolate!

E pra finalizar: o que escreveria em sua lápide?
“Não somos mais
Que uma gota de luz
Uma estrela que cai
Uma fagulha tão só
Na idade do céu”

A idade do céu,
versão Paulinho Moska

 

Primitivos

Por Maria Augusta

Acredito que desde sempre, os artistas não se contentaram do aspecto estético, mas procuraram ir além tentando captar e reproduzir a essência da alma humana em suas obras. Os surrealistas, por exemplo, influenciados por Freud, buscaram este “denominador comum” que caracterizaria a toda a humanidade na linguagem dos sonhos, que traduziria as profundezas do subconsciente, e iria ao encontro de tudo que as convenções da civilização bloqueia e impede de exteriorizar.

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Outro caminho que segundo eles permitia que se atingisse esta essência da alma humana era a arte primitiva, isto é, a arte dos povos autóctones que não haviam sofrido influência da civilização ocidental, logo teriam ainda a capacidade de expressar o que de mais natural e instintivo existe no ser humano.Estes, por meio de símbolos religiosos e da representação figurativa ou não, traduziam em sua arte principalmente suas interações com a natureza. Muitos dos artistas contemporâneos foram influenciados pela arte primitiva (ou dita selvagem). Além dos surrealistas, Picasso por exemplo buscou o caminho para realizar seu célebre “Les Demoiselles d’Avignon” (acima) que inaugurou o cubismo nas máscaras africanas. Paul Klee, Malevitch, Kandisnky também se voltaram para esta arte buscando inspiração, o que é flagrante em suas obras.

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Paul Klee (1879 – 1940)
A obra de Klee representa a mais rica variedade de estilos e tendências de que se tem noticia na arte ocidental. Ao contrário das diversas fases por que passou Picasso, com seus repentes, a evolução de Paul Klee é gradual, e sua pintura parece crescer como uma planta.

É significativo que ele tenha nascido na Suíça, no lugarejo de Münchenbuchsee, perto de Berna, num dia de Dezembro de 1879. desse país tão cosmopolita emergia o artista mais singularmente europeu e internacional do nosso tempo. Importante, também, a herança espiritual de seu pai, um professor de música, refletida na melodiosidade de sua pintura.

Bem cedo, o pendor para as artes endereça Klee a um grande centro cultural na Europa: Munique, capital da Baviera alemã. Aos vinte anos de idade, Paul já se inscreve no atelier do pintor Knirr, passando depois à Academia de Belas Artes, sob a tutela de Stuck.

Lembrei-me deste raciocínio quando soube a respeito de uma exposição que está acontecendo na região do Finistère aqui na França que se chama “Grand Nord, Grand Sud”, que traz o trabalho de artistas contemporâneos esquimós e aborígenes. A questão que me veio imediatamente à mente foi “Será que atualmente, na era da comunicação de massa, da Internet e da globalização, que praticamente aboliram o isolamento no planeta, estes povos conseguiram manter em sua produção artística a “virgindade” e a naïveté que tanto atrairam os ditos “civilizados” no século passado? Qual foi o resultado da influência de outras culturas sobre a relação que eles mantinham com a natureza, antes tão instintiva? Como isto se refletiu em suas obras de arte?”

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A artista esquimó Julie Hardenberg nos traz alguns elementos de resposta, pois afirma: “No meu trabalho fotográfico eu abordo sempre as questões da autenticidade étnica e cultural, interrogando constantemente a imagem estereotipada do esquimó veiculada pela mídia”. Do lado dos aborígenas da Austrália a preocupação com as raizes também existe, pois segundo o escultor Dennis Nona: “As pessoas da minha geração devem assumir suas responsabilidades e ir buscar a madeira e alimentar o fogo de sua cultura para que ele se mantenha sempre aceso”. Mas será que eles conseguem? Como são as obras desta exposição dos artistas contemporâneos esquimós e aborígenes?

Este quadro representa a falha rochosa de Wirrulnga na Austrália, lugar sagrado para as aborígenes, onde suas ancestrais vinham celebrar os ritos de fecundidade com danças e vestidas com saias feitas com tranças de cabelo. As linhas curvas mostram os traços deixados sobre a areia durante a dança cerimonial e as caminhadas destas mulheres.

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“Wirrulnga” (1999)
Ningura Napurrula

Este quadro representa a falha rochosa de Wirrulnga na Austrália, lugar sagrado para as aborígenes, onde suas ancestrais vinham celebrar os ritos de fecundidade com danças e vestidas com saias feitas com tranças de cabelo. As linhas curvas mostram os traços deixados sobre a areia durante a dança cerimonial e as caminhadas destas mulheres.


Nela, o uso de técnicas contemporâneas como a fotografia e a realização de instalações coabita com a utilização dos materiais ancestrais tais como os ossos de baleia, os dentes de morsa, as unhas de urso, os pigmentos naturais e as pedras. Quanto aos temas tratados, além do problema da imagem projetada pelos povos autóctones citado por Julie Hardenberg (e exemplificada na foto de Erika Lord acima), percebe-se que a forte ligação com o meio-ambiente no qual vivem (ou viviam seus ancestrais, pois as migrações dispersaram muitos dos autóctones) foi mantida, o que é traduzido no caso dos aborígenes pelas várias representações dos itinerários traçados por estes povos nômades sobre o solo do deserto.

 

 

Os animais com os quais eles dividem seu espaço e as lendas que envolvem sua visão sobre a criação do mundo também são temas que continuam presentes nas obras contemporâneas dos esquimós e também dos aborígenes australianos. Como diz o pintor aborígene Daniel Walbidi : “Meu trabalho é ligado diretamente à minha terra, ao meu país e a meus ancestrais…”, mas também “…Me agrada a idéia de trazer uma perspectiva contemporânea a uma certa tradição artística que inspira minha pintura”.

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Diante de tudo isto, me parece que a arte primitiva já não é tão primitiva assim, ela sofreu influências das outras culturas, o que é natural, assim como ela as influenciou no século passado. Por outro lado, me pergunto se não estamos caminhando na direção de uma uniformização cultural e artística, e se esta seria equilibrada em relação às múltiplas influências ou se seria dominada pela cultura mais poderosa em termos de controle dos meios de comunicação. E principalmente, lembrando a preocupação em relação ao sentido da criação, isto estaria nos aproximando ou afastando do “denominador comum”, da essência do ser humano, que se manifestaria nas obras de arte?

 

 

 

 

Fontes.
Exposição “Grand Nord, Grand Sud”
Museu das Confluências em Lyon (França)
Un siècle de positivisme

Para saber mais.
http://www.greenland.com/content/english/tourist/culture/visual_art http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Klee

 

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As cidades inventadas

Por.  Letícia Alves  e Lunna Guedes

Já faz algum tempo que as cidades fascinam, talvez por suas diferentes formas de realidade que remonta há tempos idos. As cidades incorporam parte do que somos e em determinado momento compreendemos que determinado lugar nos pertence, sem fazer o caminho inverso…

O homem estabeleceu-se em determinados lugares do planeta onde fez florescer uma civilização: a agricultura, a escrita, a roda, as máquinas, os prédios, os contornos urbanos, os primeiros.

Impomos a nós mesmos um ritmo, uma cultura, uma educação e um estilo peculiar que muda de um lugar para o outro e assim fomos definindo nossos espaços “sagrados”…

A cidade foi, desde cedo, reduto de uma nova sensibilidade. As cidades reais, concretas, consumidas diariamente por nós até a exaustão passou do suportável ao insuportável rapidamente e o urbano se esvaziou do possível para o impossível.

As cidades contemporâneas levam ao stress, incomodam, perturbam, violentam o sonho e a realidade ao mesmo tempo, talvez por isso mesmo seja necessário inventar novas cidades, como forma de sobrevivência ou seria utopia?

Imaginando cidades

O fato é que são muitos os escritores que criam suas próprias cidades na hora de escrever seus romances, novelas e contos. Talvez porque a realidade não seja o bastante para eles ou apenas porque o desejo da criação transcende o real.

O escritor mexicano David Toscana, que publicou em 1998 o romance Santa Maria do Circo, cujo título faz justamente uma referência paródica à cidade mítica que o escritor Uruguai Juan Carlos Onetti criou para movimentar seus personagens – adotou uma estratégia criativa para inventar a cidade de sua história. “Eu imaginei o mínimo que uma cidade deve ter no México: praça, igreja e algumas casas. Depois pensei que nessa praça deveria existir a estátua de um herói desconhecido. As coisas foram acontecendo e eu acabei me indagando sobre algum ou outro edifício: escola, hospital, comércio, fábricas e eu cheguei a conclusão de que não queria nada disso. Eu queria tudo o mais simples possível”.

Em seu primeiro romance, ele inventou uma cidade abandonada. Mas a seguir ele fez o inverso, ao contar a história de um grupo de artistas circenses que, ao chegar a uma cidade deserta, opta por permanecer ali e dar inicio a uma nova cidade que é batizada por eles por Santa Maria do Circo. Para dar inicio a essa construção, os personagens escrevem em pedaços de papel as ocupações que cada um deseja ter. Os papéis são misturados na cartola do mágico e sorteadas ao acaso. A trupe é composta por figuras bizarras como Barbarela, a mulher barbada que se torna médica; Natanael, o anão que vira padre; Hércules como o próprio nome diz, é um homem forte e torna-se prostituta…

Por razões obvias, o fracasso de Santa Maria do Circo é inevitável e depois de muitas peripécias, os artistas decidem abandonar a cidade.

A conclusão final da história é uma alusão a realidade das Américas já que os personagens se juntam a caravana de outra companhia que passava nas proximidades, mas o dono do circo se recusa a levar o anão, Barbarela e homem forte que são abandonados a própria sorte, assim como faz a maioria das cidades latinas que excluem a maioria de seus habitantes.

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Nárnia e seus seres…

Lewis criou Nárnia e as terras adjacentes (Calormânia, Arquelândia, Cair Paravel, entre outros), os seres que nelas habitam são falantes e tratam os humanos como filhos de Adão e Eva, uma clara alusão ao cristianismo, o que pode ser percebido em toda a obra.

Nárnia é um reino mágico inventado por C. S. Lewis, que abre portas para outros mundos e encantamentos e ao qual se acedia por portas inesperadas que existem nos mapas que os viajantes levam consigo e que podem ser um guarda-roupa ou até mesmo um quadro…

(…)”Depois dessa aventura, navegaram para o sul e um pouco para oeste, durante doze dias. O vento era suave, o céu quase sempre claro e o ar quente. Não viam ave ou peixe, mas uma vez avistaram muito longe o esguicho de baleias. Lúcia e Ripchip jogaram muito xadrez. No décimo terceiro dia, Edmundo avistou a bombordo da torre de combate uma grande montanha negra, erguendo-se no mar”. (em a Viagem do Peregrino, Cap. 12)

Afinal, o que chamamos de mundo real é aquele trazido por nossos sentidos, os quais nos permitem compreender a realidade e enxergá-la desta ou daquela forma, talvez por isso seja tão necessário alimentar o nosso imaginário com coisas fantásticas que em algum momento podem sim saltar do irreal para o real. E você? Já inventou a sua cidade?

 

 

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