Seja bem vindo a Décima Quinta Edição do
Coletânea Artesanal

Fotografia. Rayssa Campos

Pele & Alma

Aqui neste canto de mim onde o sol é mal nascido e eu desperto sempre com a certeza de que não fui dormir. Deitar-me sobre a cama fria, vazia e despertar-me com o travesseiro por entre as pernas, como se houvesse nesse ato qualquer forma de aventura…

Então me lanço pelas ruas do mundo e vasculho suas esquinas atrás de um olhar que rompa com meus juízos e ensine-me o amor. Não este do qual as literaturas tanto falam. Quero pra mim o amor impuro, desonesto, vadio, insensível, rasgado… Daquele que trás sangue a boca e amargor a alma. Onde a pele é conflito e os desejos não são reprimidos do lado de dentro…

É dor do lado de fora, alcançando a alma. Vertendo lágrimas na face. Quero revirar a cama e nada encontrar quando a manhã chegar. Esquecer os vestígios que ficaram em mim. Sair porta a fora e numa esquina qualquer encontrar uma aventura. Dessas que causam devaneios muitos e acabam numa cama qualquer de um motel barato…

Meu corpo, refém da dor na pele, causada por unhas que castigam meu corpo. Minhas mãos agarram o lençol como quem agarra o desconhecido que vem para dentro de mim numa volúpia incansável. Minha boca se vê violentada por beijos amargos, sem gosto algum. Mas é assim que eu quero que seja, não busco afeições ou carinhos. Já tive disso tudo em outrora e nem mesmo o veneno servido em taça fina de cristal salvou-me do desespero de ser abandonada sem explicações…

Enquanto liberto minha pele, ouço a porta fechar-se abruptamente. Respiro fundo, aliviada por não ter que descobrir o olhar que trouxe-me aqui. De repente, minha solidão retorna… E eu sou apenas alguém que caminha em meio à multidão.

Letícia Coelho e Lunna Guedes

Aviso. Os comentários podem ser feito no final dessa edição…

**** próxima ***

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