Suzana Martins

Maio 30, 2009

Fragmentos…

Ela trajava versos e o seu sorriso era simples e bonito como aquelas madrugadas chuvosas. Seus olhos fotografavam as mais belas nuances e nos mínimos detalhes que palavras nunca foram suficientes para descrever a paisagem. Havia poesias naqueles olhos… Neles, encontravam-se uma aquarela que pintava contos, encantos, palavras que eram gravadas na areia e perdiam-se em ondas.

A paisagem do final do outono caía no cais. Na proa do seu barco, Thereza vivia uma rotina de verso e prosa onde encontrava no infinito as suas melhores composições.  As nuvens acinzentadas mesclavam-se com o azul do céu, o alaranjado do sol e o branco das outras nuvens pareciam terem sido bordadas por mãos de rendeiras.

As cores, indiscutivelmente maravilhosas indicavam a beleza de cada estação e um vento torrencialmente gelado trazia as lembranças das poesias recitadas ao som do veraneio. Ondas que cantavam a beleza da chuva e a simplicidade do pores de sol.

Um momento mágico. Único! Pequenos fragmentos naturais que vistos da proa de um barco, e de lábios que cantavam versos e tecia sorrisos.

Eram esses pequenos detalhes que a impressionavam. Uma poeira despida de versos onde recitavam poesia na areia. Um barco solitário, ancorado no cais. Um pôr-do-sol bordado em cores onde telas jamais conseguirão reproduzir com tamanha perfeição o que aqueles olhos e pensamentos fotografavam.

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5 Comments Add your own

  • 1. Francys Oliva  |  Maio 31, 2009 at 19:33

    Fiquei com a sensação de que você e a Lu escreveram esse texto sentados no mesmo canto da praia. rs
    Claro que não é possível, mas eu delirei mesmo.
    Adorei viu Suzana. Bjs

    Responder
  • 2. Cris  |  Junho 1, 2009 at 12:50

    Quando estive em Fernando de Noronha, eu tinha a sensação de que não existia mais nada além daquele horizonte, mesmo sabendo conscientemente que existia (claro). Mas eu olhava aquilo tudo e meu olhar ficava vazio e cheio. Sabe como é isso? Seu texto me lembrou exatamente isso. Bjs

    Responder
  • 3. Paulo  |  Junho 1, 2009 at 14:14

    É de viajar.
    Parece que estamos lá, juntos naquelas paisagens.
    Muito bom

    Responder
  • 4. Madalena Barranco  |  Junho 1, 2009 at 21:28

    Suzana… Além da brisa do mar, senti também brotar em seu texto a poética natural e inata a cada palavra. A paisagem ficou linda!

    Beijos

    Responder
  • 5. Pedro da Mota Pereira  |  Junho 2, 2009 at 22:05

    Texto acalentador. Dá chaves às portas que guardam surpresas e delícias do viver. Parabéns!

    Responder

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