maio 30, 2009
A procura de casa…
Casa velha no penhasco dourado, banhado por um resto de sol a lamber a encosta dos olhos cansados dos dias, saudosos da vida, há tempos distantes, há muito ausente…
O mar paralisado, parece assistir ao que resta do silêncio do seu fracasso mais íntimo. Fica o suspiro inquieto na garganta, fica o aperto no peito e a lágrima presa do lado de dentro!
Casa velha no penhasco envelhecido, banhado por um rastro pequeno de lua branca a beijar a encosta dos olhos cansados dos dias e da consciência de rasgar os dias com as mãos e ficar a esperar pelo fim que se desenha no horizonte. Uma hora tudo se acaba, mas por enquanto apenas continua… Como os movimentos do mar…
Casa velha no penhasco que não desperta… Não vê o sol florescer… O mar ainda cansado do que ontem foi noite, fica em silêncio como quem reza uma prece e se despede num aceno lento do que ontem foi movimento e agora é apenas um barco a deriva que finalmente encontrou sua casa…
Entry Filed under: Sobre barcos e letras, conto. Tags: conto, Lunna Guedes.
1.
Francys Oliva | maio 31, 2009 at 19:32
E lá vou eu ser repetitiva: adorei seu escrito Lu.
A intensidade foi perfeita.
“o mar ainda cansada do que ontem foi noite”
Simplesmente perfeito.
Bjs
2.
Su | junho 1, 2009 at 11:13
Barcos que navegam a procura de um cais para ancorar seguro e observar noites estreladas e dias com a beleza de nuvens enfeitadas no céu. O mar que assiste os movimentos daqueles que estão sentados na areia obsevando ao longe, cada lágrima, cada embarcação!!
Lindo demais, Lu!!
beijos
3.
Cris | junho 1, 2009 at 12:47
Que estranha sensação você deixou em mim Lu, senti algo que eu não sei explicar. Aquela sensação de estar olhando para si mesmo. Você me colocou lá, sabe? Muito legal isso. Bjs
4.
Hellen | junho 1, 2009 at 18:47
Lu, esse texto é de uma intensidade divina. Que tal traduzí-lo para o francês? Tenho espaço na edição do mês que vem para algo assim? O que me diz? Aguardo a resposta senhora moça. Abs
5.
Madalena Barranco | junho 1, 2009 at 21:17
Lunna, querida,
Não sei explicar, talvez porque seja apenas para sentir… Ler seu texto é sentir o ritmo de suaves ondas em busca da casinha dourada no penhasco, da alma lavada pela água de sal, do castelo de pedra a espera de sua princesa… Mágico!
Beijos.
6.
Pedro da Mota Pereira | junho 2, 2009 at 22:10
Bela prosa poética. A reiteração acompanha a imagem da casa, dá ritmo e cor ao texto, como aquelas mostras de pinturas impressionista. Acredito que seu texto seja pós-impressionista. Mas isso não importa. O que importa é mesmo a impressão que causa. E a saudade de coisas mesmo não vividas que impregna na alma.
bjos.
7.
Adriana Costa | junho 3, 2009 at 10:03
Lunníssima!
Você faz mágica com as palavras, o texto move-se como as ondas e acalanta, mesmo com um olhar triste, porém resignado, para o tempo.
Beijinhos doces @}—
PS: Em todas as edições da Coletânea vê-se um cuidado profissional com a qualidade, sempre superada! Parabéns!
8.
dade amorim | junho 3, 2009 at 13:13
Linda a Coletânea, Lunna, vocês estão de parabéns.
E seu texto é um jogo que mantém o leitor hipnotizado. Um beijo e muito sucesso, que vocês merecem.
9.
georgia aegerter | junho 8, 2009 at 8:57
Casa velha no penhasco tem sempre mil histórias…faz parte das histórias.
Boa semana
Bjus
10.
daniel aegerter | junho 8, 2009 at 11:40
Aqui em casa todo mundo gosta do mar.
11.
Maria Augusta | junho 8, 2009 at 12:36
Muito lindo é poético, a transmissão do ambiente é perfeita, dá até para sentir o barulho do mar…
Beijos.
12.
Allan | junho 8, 2009 at 15:12
Gostei. Fora dos estereótipos da poesia, o poema é uma forma que atinge todo e qualquer leitor, quando – como neste caso – o autor tem a sensibilidade atrelada à técnica.