Flávia Muniz
Maio 30, 2009
Os barcos!As palavras!
Calor sem vento. Alguém diria: – uma brisa! Canto. Poemo pra ventilar. É um convite: navegue. Essas praias de cá tem peixe. Barqueio perto, tenho sangue de ilha… Há uma homônima também escritora, mas eu não sou ela. Eu sou eu.
NAU ARGOS
No pé de página está escrito: minha gravidez amanhece junto ao sol. Não sou poema. Sou esse desdizer de letras ávidas – alguma retina me permanece. O luar não pisca. Imagino o tempo: corre léguas antes. Futuro é tudo que não sei…
No corpo do livro é o que não está escrito. Os olhos margeiam – sílabas, fonemas, sussurros – pradarias extensas de nenhum poema. Meus nadas esclarecem silêncio: por isso escrevo… Depois vem a chuva. Ah! Alívio de saciar sede. Um oceano em cada gota. Ventania: vendaval de ser eu mesma… Minha natureza essa, sopro boquiaberto. Barqueio leme pra onde vou.
Perguntas não pensadas, respostas nunca vistas. Nem terra firme ou cais. Ar rarefeito imaginado. Existências quando. Pormenores extras. Coragem: desnudar marés.
Entry Filed under: conto. Tags: conto, Flávia Muniz.
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1.
Su | Junho 1, 2009 at 11:02
A brisa, a maresia, as águas e as letras, são encantos que revelam poesias e frases perfeitas! Cada amanhecer revela momentos lindos!!
Abraços
2.
Madalena Barranco | Junho 1, 2009 at 21:30
Flávia, querida, desnudar marés parece fácil se comparado ao seu ato de bela escrita de desnudar palavras ao mar. Adorei!
Beijos
3.
Pedro da Mota Pereira | Junho 2, 2009 at 23:49
Belo texto. És leitora de Manoel da Barros, não? Vejo-o revisitado em suas páginas. Talvez pelo reviver das palavras e expressões que faz com que limpemos nossa retina do mundo prosaico.
parabéns.
4.
Maria Augusta | Junho 8, 2009 at 12:42
Neste teu texto nos sentimos carregados como uma folha ao vento…ou como um barco pelas ondas do mar!