I – Num canto de mim…
E seguia ela, no ônibus, com olhos pregados a janela por onde assistia o dia chegando lentamente. Ela seguia em direção ao mar. O tão sonhado mar… Sorria com prazer e vez ou outra mordiscava seus lábios. Era a ansiedade que somente o mar lhe conferia. Ela suspirava intensamente ao lembrar-se do desejo que o mar lhe permitia…
Ela sentia o cheiro do mar pelo ar… Sentia a areia por entre os vãos dos dedos e seu corpo sentia a água salgada tomar o seu corpo de assalto num abraço que só cessava quando os olhos abriam para avistar a paisagem que se formava para muito além da serra…
Ela desejava o mar que sabia de cor mesmo sem nunca ter estado lá…
(Lunna Montez´zinny Guedes, Outros Tempos)
Breve, muito breve
No silêncio
a sombra é fantasma no papel amarelado
Toco suas rugas com a ponta dos dedos
pele, sal e terra
Sou labirinto dentro da palavra.
Fernando Rozano
Alma Guerreira
Olho sobre os ombros
Olho para o passado
Procuro nos escombros
A espada que tinha quebrado
No baú empoeirada
Jaz a minha armadura
De cor chamas pintada
De sangue, lágrimas, bravura
Em cada palmo cravada
Desperto a minha alma guerreira
Dos tempos de paz esquecidos
Será mais uma vez primeira
Das memórias de tempos idos
Pego no escudo e na lança
Pego nos meus sentimentos
Deixo a raiva que me alcança
Ser uma em todos os momentos
Saio para a batalha em passo certo
De Alma Guerreira armado
De cruzes e medos liberto
Saio como um cruzado
Para a batalha de peito aberto
O teu nome na bandeira
Companhia no meu deserto
Serás a batalha derradeira
Que fará do longe pertoChamas do Fénix
ALJÔFAR
Molha meu rosto o orvalho
Confundidas ficam as lágrimas
Nesta triste manhã
De um mês de junho falho
Uma umidade ressentida
Uma tristeza alentada
Pela ausência constante
De uma esperança perdida
A solidão cava sulcos
Na pele jovem outrora intrépida
Hoje acovardada
E rendida a um canto da casa
Fico a escrever poesias
De palavras machucadas
Adriana Costa
Condenado
Condenei – me a viver de sofrimento,
Penar incessantemente,
Por ser condenado…
Infernizado,
E suplico,
Suplico que me tires daqui,
Que talvez, ajude a libertar – me de mim…
Do meu inferno,
Meu palco montado.Posso ser insano, doente…
… Quem sabe crente?
E sofro por ser estigmatizado,
(Pelo menos eu acho)E lá no íntimo…
Bebo, fumo, traio escondido
Rezo meias palavras descartáveis
Como e vomito,
Cuspo nas pontas…
Não limpo.Sou carvão de casca pobre,
Tenho aço nas mãos…
Eu sou meu inferno íntimo
Responsável por ser e viver
Nada a se fazer…Tenho a lâmina e a carne
Conjunto de renascer…
E faço,
Abro-me…
Inferno íntimo que acabei.Letícia Coelho


julho 30, 2008 at 12:33
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